Considerações sobre um certo sábado a noite…
É impressionante como algumas pessoas, por uma mistura bombástica de falta de maturidade e arrogância, não conseguem perceber quando alguém dá uma passo na direção certa. E não o fazem porque reconhecer isso as obrigaria a dar um passo também. Passo que elas não querem dar.
Essas pessoas se contentam em saber quem você é, faz e pensa através de relatos alheios, carregados de ressentimentos e nem experimentam ver por si mesmas. Nem por curiosidade. Nem por morbidez. Nem por um mínimo de empatia. Elas decidem ter uma opinião sobre alguém sem considerar todos os lados da questão e quando você vê, tem um rótulo colado na sua testa.
As vezes, me obrigo a passar por certas situações porque me expor me ajuda a ter uma visão mais clara dos fatos, dos envolvidos e dos que se envolveram por solidariedade. Ao contrário dos outros prefiro reavaliar a minha postura, ao invés de ficar empacada na mesma posição pelo resto da vida. Prefiro me dar ao luxo de verificar se a minha opinão está certa, se as pessoas evoluiram ou se permanecem estagnadas. Me permito mudar de opinião e me disponho a mostrar lados que alguns não se dispõe a conhecer
Interessante é descobrir, mesmo que tarde demais, que alguns são como eu e mantêm a mente aberta. À esses, minhas congratulações.
Quanto aos outros, por ora, não vale mais a pena dar passo algum, em direção alguma. Amanhã pode ser diferente. Ou não.
Vida de casada
” E, ai? Como vai a vida de casada”?
Pausa.
Eu compreendo que a motivação para esta pergunta é a mais profunda falta de assunto. Pois enquanto o meu casamento for uma novidade para algumas pessoas essa é a melhor alternativa às ja desgastadas questões sobre o tempo, a novela das oito e a seleção do Dunga. O problema é que eu nunca sei o que responder.
Eu sempre fico imaginando o que diabos a pessoa quer escutar. Se um relatório sobre as nossas atividades doméstico-sexuais ou uma descrição da situação financeira e a revelação dos planos pro futuro. Futuro este que deve incluir um bebê, obviamente.
Outro dia uma amiga da minha mãe, que não me via algum tempo, fez a famigerada pergunta com um adendo:
“Ralando muito?”
Por um milésimo de segundo achei o caso fosse de curiosidade sobre a vida sexual, mas rapidamente me dei conta que a questão era sobre as atividades ditas “do lar”. Mais antipática que de costume franzi a testa e respondi um:
“Eu? É ruim heim!”
Das duas uma. Ou ela pensou que temos empregada ou que nossa casa é um chiqueiro. Definitivamente, não acho que casar seja sinônimo de vestir o uniforme de Amélia e passar a vida lavando, passando, esfregando, cozinhando. Até parece que o transtorno obsessivo compulsivo, que eu nunca tive, iria se apoderar do meu corpo só porque eu coloquei uma aliança na mão esquerda.
No fim das contas o que eu pude observar é que ao perguntar sobre a “vida de casada”, as pessoas não estão verdadeiramente interessadas na minha vida, na minha história. Elas estão , na verdade, quase que falando sobre si mesmas. Procurando um cúmplice para as suas próprias frustações. Esperando que eu, ou qualquer uma, responda que não é o mar de rosas que se imagina, que a rotina é cansativa, que a convivência é complicada ou que o sexo era melhor quando solteira, porque assim elas podem se sentir menos sozinhas, podem justificar seus próprios fracassos supondo que seja igual pra todo mundo. É como se elas estivessem rindo sordidamente por dentro e prestes a dizer:
“Viu porque tanta gente se separa?”
Vi. Mas também vi e vejo, diariamente, porque tanta gente fica junta. Talvez por nunca ter sido muito romântica, eu não tenha imaginado nenhum conto de fadas. Parece frio da minha parte, mas isso ajuda a não supervalorizar os possíveis desentendimentos. Entendo que fazem parte da convivência humana. E enquanto houver amor a minha resposta vai ser sempre:
”Bem, obrigada”.
Sad, but true…
Certas mulheres não são capazes de entender uma coisa muito simples: em alguns casos, não adianta fazer lipoaspiração, lifting, silicone, nem porra nenhuma. Nasceram barangas e vão morrer mais barangas ainda. A elas só resta culpar a Deus e a genética.
Outro fato triste, porém verdadeiro: os corajosos que se prestaram a ficar com elas antes das intervenções cirúrgicas vão continuar preferindo a morte do que assumir o fato. Vão colocar a culpa na cachaça, numa privação temporária dos sentidos, numa prolongada seca de sexo. Vão preferir dizer que a mulher colocou uma armar em suas cabeças do que assumir que pegaram a barangona por livre e espontânea vontade.
Não que eu ache certo, mas não tem cirurgia que mude isso.
Como eu estou bem longe de ser baranga, só me resta pegar minha pulserinha vip e assistir de camarote a comédia da vida alheia.
Sobre a Vírgula.
Campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).
1. Vírgula pode ser uma pausa… ou não.
Não, espere.
Não espere.
2. Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.
3. Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.
4. Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.
5. E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto..
6. Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.
7. A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.
Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.
Detalhes Adicionais:
SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.
- Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
- Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.
Coisas que eu não entendo #6
Eu que sou totalmente leiga em matéria de música eletrônica fui a um desses eventos sexta feira.
E se por um lado, eu não achei o som tão ruim assim apesar da falta de letra, por outro, fica a pergunta:
Como diabos a mulher carioca consegue vulgarizar até a um estilo musical que, a princípio, seria totalmente contrário a reboladas frenéticas a la Mc Créu?
Coisas que eu não entendo #5
Por que os paulistas colocam um i antes do r?
assim: poirta, poirtão, cairne.
Nada contra paulistas, mas é engraçado.
Eu tenho uma teoria…
E é sobre o emo brasileiro. Não é o emo, o ser individual. É sobre o movimento em si. Fiquei tentando lembrar a primeira vez que eu ouvi o termo. E lembrei que foi no tempo que eu trabalhei com monitoramento de rádio. Eu ficava la, de fones de ouvido, monitorando as mídias de rádio, aproveitando pra escutar os sons que eu gostava e prestando atenção no que alguns locutores diziam. Foi assim que escutei o termo “emo” pela primeira vez. E tem é tempo.
O que tenho observado é que as pessoas normalmente associam a palavra “emo” a uma certa estética. Um certo jeito de usar o cabelo, um delineador preto, as roupas peculiares e claro, a sexualidade andrógina. Raramente se lembram que há um estilo de música envolvido nisso.
Emo vem de emocore, que por sua vez é a abreviaçao de emotional hardcore. Trocando em miúdos, seria um rock pesado, próximo ao hardcore (HC, pros íntimos) com letras emocionais. Por isso entende-se: pagode com guitarra distorcida, mela cueca com cara de mau, punk de boutique com dor de corno, deu pra sacar?
Esclarecido isso, fiquei pensando (e foi ai que surgiu a periclitante teoria) qual seria a primeira banda emo brasileira.
A resposta veio límpida na minha cabeça.
Vai soar estranho, mas prestem atenção nas letras abaixo:
” Quem inventou o amor? Me diga, por favor” ,
“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”
“A tempestade que chega é da cor dos teus olhos castanhos”
“Eu gosto de meninos e meninas”
“Dos nossos planos é que tenho mais saudade. Quando olhávamos juntos na mesma direção”
” És parte ainda do que me faz forte. Pra ser honesto, só um pouquinho infeliz”
Não é óbvio? Como ninguém percebeu?
Claro que as letras da Legião são infinitas vezes superiores a essa pobreza que se escreve hoje em dia. Digamos que a semelhança seja de conteúdo e não de forma. O som por sua vez, não se parece com o que se convencionou chamar de emo. Em comum só os três acordes característicos do movimento punk, aquele primo distante do emocore, que por coincidência é o paizão da Legião. Esteticamente não há nenhuma semelhança. Mas, se por um lado, Renato Russo não se prestaria a fazer chapinha , por outro estava longe de ser um casca grossa como Marcelo Nova, Nazi, Paulo Miklos e outros bichos da época. Ele tinha um “que” de depressão eterna, de dúvida existencial incurável, uma dor de amor tão profunda, uma coisa tão… mas tãããão… emo.
A diferença, senhoras e senhores, é que Renato Russo, por mais que vendesse discos como água no deserto e lotasse os shows que odiava fazer, sentia o que escrevia. Bem diferente, dessa merda intencionalmente vendável, fácil de digerir por essa geração que tem mais preguiça de pensar do que de qualquer outra coisa na face da terra.
bjsnãomeliga