O Livro da minha vida
“Macondo já era um pavoroso rodamoinho de poeira e escombros, centrifugado pela cólera do furacão bíblico, quando Aureliano pulou onze páginas para não perder tempo com fatos conhecidos demais e começou a decifrar o instante em que estava vivendo, decifrando-o a medida que o vivia, profetizando-se a si mesmo no ato de decifrar a última página dos pergaminhos, como se estivesse vendo a si mesmo num espelho falado. Então deu outro salto para se antecipar às predições e averiguar a data e as circustâncias da sua morte. Entretanto, antes de chegar no verso final já tinha compreendido que não sairia nunca daquele quarto, pois estava previsto que a cidade dos espelhos( ou das miragens) seria arrasada pelo vento e desterrada da memória dos homens no instante em que Aureliano Babilonia acabasse de decifrar os pergaminhos e que tudo que estava escrito neles era irrepetível desde sempre e por todo o sempre, porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oportunidade sobre a terra”
Gabriel García Marquez, Cem Anos de Solidão
Carnahell
O carnaval costuma ter 3 funções:
1-Desculpa esfarrapada pra beijar o maior número de bocas possível em uma só noite;
2-Desculpa esfarrapada pra beber até cair;
3- Ótima desculpa pra viajar;
4-Diversão desenfreada (o que inclui os números 1 e 2, obviamente. Número 3 opcional)
Quanto a isso o que eu tenho a dizer é:
1- Se mesmo quando solteira nunca objetivei a quantidade , imagina depois de casada.
2-Não sou chegada à extravagãncias alcoólicas e mesmo se fosse, o boteco da minha rua tem a cerveja mais gelada do mundo. É só descer e dar início aos trabalhos. Em qualquer época do ano.
3- Seria uma ótima idéia viajar. Seria. Se nós não tivessemos comprado um Labrador que veio sem vacina, reduzindo a zero a possibilidade de conseguir hospedagem pra o mesmo. (As petshops só hospedam se o cão tiver as vacinas em dia).
4- Diversão desenfreada, pra mim, está intimamente ligada a música. Música no carnaval siginifica samba, axé e marchinhas. Detesto tudo isso ao longo de todo o ano. Porque pensar diferente em fevereiro?? A propósito, em pleno seculo 21 questionar se o Zezé é ou não é, tudo por causa de uma cabeleira, é o cúmulo do retrocesso.
Resumindo: passa logo, carnaval, passa!!!
Seria cômico
Alguém, por favor, me esclareça o que é pior:
a- o figurino
b- a pronúncia
c- o “canto”
d- o conjunto a obra
Vergonha Alheia Galopante
É isso. A novela “A Favorita” está com os dias contados e foi um sucesso arrebatador. Nunca assisti por livre e espontânea vontade. Digo isso, porque na casa da minha sogra a tv fica invariavelmente sintonizada na Rede Bobo, ops, Globo. E eu sou obrigada a assistir aquela merda, ops, novela, toda vez que vou lá. Na verdade, o que faço é criticar impiedosamente todas as cenas, na tentativa vã de criar algum constrangimento. Ou seja, pra ver se alguém troca o maldito canal.
Quarta feira, gozando de perfeita saúde mental (ou não) decidi assistir a tal novela. Um pouco tarde demais, mas tá valendo. Sei la, deve ser porque eu detesto me sentir um peixe fora d´água ou por que os meus hormônios andam loucos . Só sei que decidi me torturar só um pouquinho. E lá estava eu assistindo, boquiaberta, uma Claudia Raia, gorda feito uma baleia, ao lado de Patrícia Pillar entoando, toscamente, uma modinha sertaneja. Na sequência, a ação se passa num palco escuro onde Donatella se recusa a cantar se Flora não entregar a ela um tal lenço vermelho que a vilã usa como amuleto. Tal exigência, desestabiliza emocionalmente Flora. Ai eu pergunto: É sério isso?? É por causa daquela dramaturgia que as pessoas deixam de sair de casa entre 21:00 e 22:00??? É aquele o primoroso texto que têm feito o coração da população palpitar? São aquelas as emocionantes interpretações?? Eu sinto tanta vergonha desse país. O Brasil pára pra assistir o desfecho de uma trama de quinta e a criminosa sou eu por não fazer o mesmo.
E agora vem mais um retumbante sucesso de Gloria Perez. Mais uma vez, a brilhante autora nos brindará com uma aula sobre uma cultura que desconhecemos. Depois dos ciganos e dos marroquinos, chega a vez dos indianos terem sua cultura distorcida no horário nobre. Dentro em breve o povão estará repetindo feito papagaio os bordões dos personagens. O comércio popular será invadido por bijuterias e acessórios para que as meninas possam (tentar) ficar igual a Juliana Paes. Haverá Ganeshas e Shivas disponíveis em todas as lojas de 1,99 da nação. Todos os bailes de debutantes do subúrbio terão a Índia como tema. As agências de turismo perceberão um súbito interesse, dos mais abastados, em conhecer o referido país. E, como cereja do bolo, algum dj carioca criará um funk inspirado na novela.
Permanecerei, desde já, na minha bolha, de onde nunca deveria ter saído, com meus livros e os salvadores canais de tv a cabo.
Enquanto o marido não chega em casa, tenho Olívia, minha poodle, e Paçoca, minha labradora, pra conversar. Elas dão um papo muito melhor que muita gente por aí.
Citando [3]
“Por ora, Rudy e Liesel caminhavam para a Rua Himmel embaixo de chuva. Ele era o maluco que se pintara de preto e derrotara o mundo inteiro. Ela era a roubadora de livros que não tinha palavras. Mas, acredite, as palavras estava a caminho e, quando chegassem, Liesel as seguraria na mão feito nuvens, e as torceria feito chuva”.
É. O mesmo livro. De novo.
Pronto. Parei.
Citando [2]
“Por favor, acredite quando lhe digo que, naquele dia, peguei cada alma como se fosse um recém- nascido. Cheguei até a beijar alguns rostos exaustos, envenenados. Ouvi seus últimos gritos entrecortados. Suas palavras evanescentes. Observei suas visões de amor e os libertei do seu medo.
A todos levei embora e, se houve um momento em que precisei de distração, foi esse. Em completa desolação, olhei para o mundo lá em cima. Vi o céu transformar-se de prata em cinza e em cor de chuva. Até as nuvens tentavam fugir.
Vez por outra, eu imaginava como seria tudo acima daquelas nuvens, sabendo sem sombra de dúvida, que o sol era louro e a atmosfera interminável era um gigantesco olho azul”
Trecho de A Menina que Roubava Livros.
Terminei agora de tarde.
E continuo apaixonada por ela.
Citando
“Primeiro, as cores.
Depois, os humanos.
Em geral, é assim que eu vejo as coisas.
Ou, pelo menos, tento.
Eis um pequeno fato.
Você vai morrer.
Com absoluta sinceridade, tento ser otimista a respeito de todo esse assunto, embora a maioria das pessoas sinta-se impedida de acreditar em mim, seja quais forem meus protestos. Por favor, confie em mim. Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável. Agradável. Afável. E esses são apenas os As. Só não me peça pra ser simpática. Simpática não tem nada ver comigo.”
Trecho de A Menina que Roubava Livros.
Sim. Estou apaixonada por ela.
Comentário de uma vascaína
Escolhi ser vascaína por volta dos 11 anos de idade utilizando como único critério ser este o time do meu pai.
Nunca acompanhei muito, mas não sou totalmente leiga. Minha melhor amiga é jornalista esportiva e apaixonadissima por futebol . Acabei aprendendo bastante coisa. Mesmo que por osmose. Mas, nunca consegui compartilhar da mesma paixão.
E é isso. O Vasco ta na segundona e o que eu tenho a dizer sobre isso é : caguei um balde do meu tamanho!!!!!
Eu fico impressionada com o quanto as pessoas se importam com uma babaquice dessas. Não vai aparecer nenhum real a mais nas conta bancária de ninguém. Nem um grão de comida vai brotar no prato de ninguém. Não faz diferença nenhuma!!!
Pode me xingar do que for, mas não consigo aceitar que as pessoas levem a sério o que um bando de analfabetos faz dentro de um gramado, ganhando salários milhonários pra fazer seu trabalho tão porcamente que o resultado foi esse que se viu.
Enquanto isso, professores, policiais, e todos os trabalhadores assalariados têm que se virar em 3, pegar ônibus lotado e ralar feito cornos se quiserem ganhar dignamente. E são esses mesmos trabalhadores, que nao têm onde cair mortos, que vão consumir avidamente todas as publicações esportivas de amanhã de manhã. Eles mesmos,excepcionalmente, colocarão créditos em seus celulares “pai de santo” pra poder sacanear algum colega. E tudo vai continuar igual. Os analfabetos,ops, quer dizer, jogadores continuarão relaxando em suas jacuzzis ou nos braços de algum traveco sofrível e os meninos continuarão sonhando ser jogador pra ir prum time europeu e dar uma casinha pra mãe. Porque estudar não leva a nada, né?
Definitivamente. Eu odeio futebol.
Início…
Então que há anos eu tenho blog. Já fiz vários, e meu último completou um ano recentemente.
Já participei de alguns em conjunto, já fui crítica (positiva) de outros, às vezes conto meus erros amorosos noutro, mas agora estou aqui, partilhando este com a pessoa que mais entende as minhas neuroses.
Não só pelo tempo que nos conhecemos, que é grande, mas porque somos meio descoordenadas mesmo.
Sofremos de auto-sabotagem, neuroses múltiplas, mania de perseguição, pouca paciência e afins.
Ih, nem pensem… somos muuuuito diferentes. Mas é essa diferença que faz a gente se entender tão bem.
Daí que, agora temos um canto pra contar todos os mistérios alucinantes que pairam sobre nossas mentes.
Assim, como um prato fundo mesmo, que se coloca de tudo um pouco. e sempre cabe mais.